“Se ficar longe de você fosse algo bom pro meu pobre coração,
lagrimas não seriam tão mais freqüente que sorrisos. O coração não mendigaria o
tempo todo, a tua companhia”.
Toc, toc!... Toc,
toc!... Abra a porta Rebeca, sei que
você está aí, vamos abra. Já se fazia mais de três semanas que Joana ia todas
as manhãs bater na porta de Rebeca na tentativa de que ela a abrisse, mais tudo
o que se tinha como resposta era aquele enorme silêncio que se fazia. Rebeca
era uma mulher encantadora, feliz sim muito feliz, trazia em seus olhos a
doçura e o encanto de quem se importava com todos. Estava sempre pronta pra
ajudar á quem precisasse nunca se recusava á nada. Não tinha uma santa alma que
ao conhecê-la não se encantasse com ela.
Mais
a menina mulher, que parecia trazer o sol consigo aonde quer que fosse, perdeu
o brilho no dia em que o homem que tanto amava e ainda o ama, que tanto havia
dedicado tempo, dado o seu melhor, o seu coração, que foi capaz de ir até o
infinito pra afirmar o quanto ele era importante á ela e o quanto ela o amava,
agora havia ido embora.
Ela não entendia
e pouco menos aceitava o fato de que aquele que tanto lhe fez juras eternas, de
que ficariam pra sempre juntos até o fim, que nada e nem ninguém iriam apagar o
que um sentia pelo outro. Agora estavam separados, não separação de kilometros,
metro ou ano luz. Tratava-se de uma separação onde um não queria mais a
companhia do outro, quando um, acha que sim podia ser feliz sem a sua outra
metade e essa era o tipo de separação que mais doía.
No dia em que Pedro,
o homem dono do coração da bela moça de gestos delicados e sorrisos doces, que
despertava os mais variados tipos de sentimentos em Rebeca resolvera ir embora
de vez da sua vida, o mundo todo dela parecia que havia parado, estacionado em
uma freqüência que pra ela era totalmente desconhecido. Desde desse dia, Rebeca
nunca mais quis saber de mais nada, se trancou em sua casa, não atendia mais os
telefonemas, não foi mais ao trabalho, não saia mais com as amigas, não dava
mais nenhum sinal de vida qualquer.
Suas irmãs que
moravam em outra cidade distante, vieram até sua casa, tentaram falar com ela
na tentativa que ela abrisse a porta, mais nada conseguiram como resposta.
Joana e suas outras amigas de toda uma vida já haviam tentado de tudo. Joana
era a sempre a mais insistente e também sua amiga confidente de tudo, sabia do
doce preferido dela, suas manhias, seus vícios, seus defeitos, sabia tudo,
absolutamente tudo sobre Rebeca. E mesmo assim não conseguia fazer com que a
moça de olhos vibrantes abrisse aquela maldita porta e descarregasse toda a sua
tristeza sobre os ombros de quem muito se importava com ela.
Rebeca estava
muito frágil, seu coração parecia que havia sido quebrado em um milhão de
pedaços, como aquele vaso de cristal raríssimo que em nenhum outro lugar no
mundo há outro igual aquele, mais que agora por uma fatalidade havia despencado
de cima da mesa e nada, nem fita isolante, nem cola, nem durepox, nada, nadinha
conseguia colocar os pedacinhos que restou do seu coração de volta ao seu
devido lugar, nem mesmo costurando (Quando se tem um coração magoado nada
parece preencher) e era assim que a menina mulher amada por todos se sentia,
nada parecia consolar o pobre coração da meiga Rebeca.
Ela até sabia que
precisava reagir que nenhum homem no mundo merecia tantas lagrimas sua. Mais
não se tratava de um homem qualquer, era o seu homem. Aquele em que tanto ela
amava e que tanto á fez feliz durante todo o tempo em que estiveram juntos. Que
a fazia rir com uma bobagenzinha qualquer, aquele cara que a fez acreditar que
o amor á distância pode existir sim. E no meio de tantas lembranças boas de momentos
mágicos passado com ele ela se perguntava: - Como um amor verdadeiro podia
terminar assim, tão sem sentido, tão sem final? Quando ambos, embora um não
admita mais, ainda se amam.
Leila Cardoso