13 julho, 2012

Às vezes, não muito raramente, ela via beleza no simples






Lara olhou pra vista ao seu redor, era 12:30 da tarde, horário de almoço. Uma vista deslumbrante sem dúvida, carregada de sentimento ocultos e só quem tem a sensibilidade de enchegar além da aparência era capaz de desvendar suas lições.

Restaurante em frente ao rio movimentado, do outro lado da margem havia uma vila de casas ribeirinhas, tudo muito simples. Dois contrates sociais cortado por um rio de águas barrentas. Apreciar a paisagem, uma ação tão simples, mas que naquele dia foi o que o tornou especial. Era uma vista, diferente do cotidiano, pessoas arrumando a casa, sentada na varanda, olhando o tráfico dos barcos que trafegavam ao longo do rio. Tinha também crianças, as suas margens, tomando banho, levavam uma vida simples mais pareciam tão felizes, como se o pouco lhes bastasse. Batia sobre seus cabelos, ventos úmidos de temperatura agradabilíssima para o horário do almoço. Com o pensamento distante pensou: “Não preciso de mais nada” e ali ficou.

Às vezes, não muito raramente, ela via beleza no simples, voltava à infância, dizia baixinho: Meu Deus, não me deixa perder esse encanto e tornava a amar a vida. Guardava toda a tristeza que carregava no olhar e reforçava o traço do sorriso quase apagado que levava no rosto. Prometia que valorizaria cada instante, porque o medo que a vida passasse e ela estacionasse no tempo sem aproveitar nada, era assustador.

Lara contemplou por horas aquela vida, se indignou ao pensar: Como pode o bicho homem ser tão estranho, estabelecer uma relação de dependência, de apego ao lugar, com o rio e tudo que não presta como lixo, sujeira, jogar lá, justo no lugar que afirma não conseguir viver sem. Como pode?

Seus pensamentos foram interrompidos pelo garçom, servindo o almoço: Senhora, mais alguma coisa? Não, está tudo ótimo, obrigada, disse ela. Comeu pausadamente enquanto apreciava “o movimentos das pessoas comuns”, sentiu vontade de chorar por sei lá o que, nem ela sabia, mais não era lagrimas de tristeza, sentimento nostálgico que pairou sobre ela, sem ser convidado.

Pagou a conta, foi embora, mais ela não era a mesma de quando chegou ao restaurante, todos notaram, estava vibrante. O dia se seguiu, com o caos das buzinas dos carros, pessoas tão ocupadas, que mal conseguem ler os códigos impregnados na paisagem quase preta e branca da cidade que não para.
 Leila Cardoso

2 comentários:

  1. Parabéns pelos textos, quanto tiver um tempinho faça um visitinha no Recanto das Letras, fél rafael teixeira.

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    1. Claro que eu tenho um tempinho, vou agora mesmo te fazer uma visita lá no Recanto das Letras, abraços!

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