Lara olhou pra vista ao seu redor, era 12:30 da
tarde, horário de almoço. Uma vista deslumbrante sem dúvida, carregada de sentimento
ocultos e só quem tem a sensibilidade de enchegar além da aparência era capaz
de desvendar suas lições.
Restaurante em frente ao rio movimentado, do
outro lado da margem havia uma vila de casas ribeirinhas, tudo muito simples.
Dois contrates sociais cortado por um rio de águas barrentas. Apreciar a
paisagem, uma ação tão simples, mas que naquele dia foi o que o tornou
especial. Era uma vista, diferente do cotidiano, pessoas arrumando a casa,
sentada na varanda, olhando o tráfico dos barcos que trafegavam ao longo do
rio. Tinha também crianças, as suas margens, tomando banho, levavam uma vida
simples mais pareciam tão felizes, como se o pouco lhes bastasse. Batia sobre
seus cabelos, ventos úmidos de temperatura agradabilíssima para o horário do
almoço. Com o pensamento distante pensou: “Não preciso de mais nada” e ali ficou.
Às vezes, não muito raramente, ela via beleza no
simples, voltava à infância, dizia baixinho: Meu Deus, não me deixa perder esse
encanto e tornava a amar a vida. Guardava toda a tristeza que carregava no
olhar e reforçava o traço do sorriso quase apagado que levava no rosto.
Prometia que valorizaria cada instante, porque o medo que a vida passasse e ela
estacionasse no tempo sem aproveitar nada, era assustador.
Lara contemplou por horas aquela vida, se
indignou ao pensar: Como pode o bicho homem ser tão estranho, estabelecer uma
relação de dependência, de apego ao lugar, com o rio e tudo que não presta como
lixo, sujeira, jogar lá, justo no lugar que afirma não conseguir viver sem.
Como pode?
Seus pensamentos foram interrompidos pelo
garçom, servindo o almoço: Senhora, mais alguma coisa? Não, está tudo ótimo,
obrigada, disse ela. Comeu pausadamente enquanto apreciava “o movimentos das
pessoas comuns”, sentiu vontade de chorar por sei lá o que, nem ela sabia, mais
não era lagrimas de tristeza, sentimento nostálgico que pairou sobre ela, sem
ser convidado.
Pagou a conta, foi embora, mais ela não era a
mesma de quando chegou ao restaurante, todos notaram, estava vibrante. O dia se
seguiu, com o caos das buzinas dos carros, pessoas tão ocupadas, que mal
conseguem ler os códigos impregnados na paisagem quase preta e branca da cidade
que não para.
Às vezes, não muito raramente, ela via beleza no simples



Parabéns pelos textos, quanto tiver um tempinho faça um visitinha no Recanto das Letras, fél rafael teixeira.
ResponderExcluirClaro que eu tenho um tempinho, vou agora mesmo te fazer uma visita lá no Recanto das Letras, abraços!
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